segunda-feira, 23 de julho de 2018



Há alguns anos, não se imaginava ser possível cultivar flores no Ceará devido ao clima semiárido, mas o Estado mostrou ter áreas propícias para o florescimento de rosas e também de muitos negócios. Hoje, a região da Serra da Ibiapaba abriga grandes empresas do setor, gerando emprego e renda para e região e fortalecendo e diversificando a economia cearense. Nem mesmo a seca forte que assola o Estado há anos tem parado essas empresas, que já vislumbram a expansão dos negócios a partir da maior organização do setor e também das oportunidades que vão surgir com equipamentos como o hub aéreo da Air France-KLM e Gol.
Entre as grandes empresas instaladas na região da Ibiapaba está a Reijers, que possui duas fazendas em território cearense – em São Benedito e Ubajara – e outras nove no restante do País. A empresa empresa projeta dobrar a produção e o número de postos de trabalho gerados em até três anos.
Atualmente, a Reijers produz 150 mil hastes de flores de 16 espécies diferentes por dia, um total de cerca de 48 milhões de botões por ano que geram renda para 450 funcionários diretos. De acordo com o diretor e proprietário da Reijers, Roberto Reijers, a empresa está ampliando e diversificando a produção no Estado. Ele conta que haverá produção de outros tipos de flores e principalmente aquelas em vasos. Além disso, a empresa também está de olho no mercado externo.
Segundo o consultor técnico em agropecuária, Francisco Zuza Oliveira, o Ceará já enviou para outros países cerca de 10 milhões de flores produzidas no Estado. Com o hub aéreo da Air France – KLM e Gol, inaugurado em maio, as possibilidades de exportação se ampliam. A própria Reijers local, que não está mandando produtos para fora atualmente, pretende retomar a prática até dezembro.
“A Holanda é o maior distribuidor de flores para a Europa. Com o hub, nós teremos duas frequências semanais entre Fortaleza e Amsterdã, o que gera a possibilidade para voltarmos a exportar”, afirma Roberto Reijers. Segundo ele, o objetivo é exportar de 20% a 30% da produção cearense, o que deve gerar incremento no faturamento da empresa na mesma ordem.
“O mercado mundial de flores sofre a pressão de muitas ofertas de países da África, Colômbia e Equador, mas esperamos conquistar um espaço no mercado. Já começamos o contato com os clientes e esperamos iniciar em dezembro quando haverá maior demanda”, acrescenta o produtor.
Arte
Pequenos produtores
Além disso, a área de cultivo da Reijers também será ampliada. Serão mais 120 hectares, sendo 70 deles destinados a um projeto de integração com pequenos produtores da região da Ibiapaba que promete gerar uma renda líquida de R$ 3 mil por mês para cada produtor.

“Para os pequenos produtores, haverá segurança na aquisição da produção através de uma empresa âncora, além de estarem recebendo toda assistência técnica”, destaca Roberto.
Turismo
A produção de rosas, que já atrai um grande número de visitantes em regiões como a Holambra, em São Paulo, também tem sido uma opção para o turismo no Ceará. A visitação às estufas está se popularizando no Estado, que já recebe 70 mil turistas por ano na região da Ibiapaba.
Vendo o potencial das atividades nesse sentido, entidades como o Banco do Nordeste (BNB), a Associação dos Municípios do Estado do Ceará (Aprece), a Universidade Federal do Ceará (UFC), a Agência de Desenvolvimento Econômico do Estado (Adece), o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Ceará (Sebrae-CE) e o Instituto Agropolos do Ceará firmaram parceria para criar o projeto Rosas da Ibiapaba, que objetiva impulsionar a região através da produção, turismo e gastronomia.
Geração de 10 mil empregos
A intenção é aproveitar o potencial oferecido e dobrar a produção dos 20 produtores atuantes – sendo quatro grandes empresas e 16 pequenos produtores – além de duplicar a geração de empregos também, tornando a Serra da Ibiapaba referência no Norte e Nordeste em produção de flores. O projeto foi idealizado pelo ex-secretário da Agricultura Irrigada do Estado e atual deputado estadual, Carlos Matos. “Com a união das instituições, o nosso objetivo é gerar 10 mil empregos na região, sendo cinco mil a partir da floricultura, dois mil na horticultura,  que está surgindo na serra com muita força, e outros três mil empregos na área turística e em outras atividades”, explica Matos.
Investimento
O Banco do Nordeste é uma das instituições que abraçou o projeto. Segundo o gerente de Negócios da Área Rural do Banco em São Benedito, Leônidas Paz, são duas as opções de linha de crédito para os produtores. “Na área rural, temos o FNE Rural e o Pronaf, do Governo Federal. As taxas de juros são de 5,41% ao ano para o FNE e,  em relação ao Pronaf, esse percentual varia de 4,6% a 5% ano”, afirma Leônidas.

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