terça-feira, 4 de setembro de 2018

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O diretor do Museu Dom José Tupinambá, de Sobral (CE), o arquiteto Antenor Coelho, alerta que o risco de incêndio no equipamento “é o risco de quase todo museu histórico no Brasil, já que o prédio é muito antigo”. O gestor avalia que o recurso do poder público garante a manutenção do dia a dia.
Porém, uma reforma ideal, levando em conta a estrutura antiga, como a preservação dos pisos de madeira, por exemplo, custaria bem mais cara. O equipamento cultural é um dos maiores museus de arte sacra do País.
“Tem a manutenção da coberta, e seria necessário trocar todo o madeiramento. O Iphan (Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, que tombou o prédio) aprovou um projeto de reforma pelo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Mas as verbas foram cortadas quando o (Michel) Temer assumiu (a presidência)”, pondera o diretor.
O Museu Dom José Tupinambá pertence a Diocese de Sobral e é mantido, hoje, pela Universidade do Vale do Acaraú (UVA), do Governo do Estado, com apoio da Prefeitura do Município. “Os poderes que existem em Sobral apoiam o museu. Mas pela idade e estrutura do prédio, as reformas exigiriam um cuidado maior. O madeiramento e a fiação são antigas. A gente só tem recurso pra fazer obras preventivas e manter minimamente o que vem dando problema”, detalha Antenor Coelho.
Enquanto o museu é gerido nessas condições, o diretor coloca que, para a prevenção de incêndio, o equipamento tem à disposição extintores de incêndio. Aos domingos, quando o museu está fechado e os funcionários estão de folga, não existe plano de contenção.
Antenor Coelho conta que o Corpo de Bombeiros fiscaliza as condições de funcionamento do equipamento, mas isso não garante “um plano de incêndio que nos dê segurança”. O gestor detalha que assina, a cada ano, um contrato de manutenção do expediente do Museu Dom José Tupinambá junto a Prefeitura Municipal de Sobral, a fim de garantir uma verba de R$ 3 mil por mês.
O gestor acredita que, com a tragédia que destruiu o acervo do Museu Nacional do Rio de Janeiro (RJ), a sociedade e a própria comunidade museológica devem olhar com mais atenção para a segurança dos equipamentos.
Inclusão digital
“Um acidente grave desses serve para isso também, para se abrir os olhos. O Museu da Língua Portuguesa (SP) foi incendiado há três anos. O próprio Instituto Brasileiro dos Museus (Ibram) fala em inclusão digital, em educação, mas quando vão falar da segurança dos museus?”, questiona Antenor Coelho.
Com Informações de Felipe Gurgel

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