sábado, 9 de novembro de 2019

Por Marcelino Júnior



Edmar Rodrigues, coordenador do projeto Câmara Mirim, tenta restringir o exercício da cidadania da vereadora mirim e a constrange com assédio moral

Na sessão ordinária da Câmara Mirim, realizada nessa quarta-feira (6), no Plenário 5 de Julho, em Sobral, a vereadora mirim Nayara Thalita Alves, foi chamada a atenção, em público, sem ter seu nome revelado, pelo coordenador do programa, Edmar Rodrigues.
O motivo da repreensão pública e da pressão psicológica sobre a adolescente foi sua iniciativa em convidar a ministra Damares Alves, titular da pasta da Mulher, Família e Direitos Humanos, para que viesse a Sobral acompanhar de perto os casos de abuso contra crianças e adolescentes.
Nayara Thalita Alves conseguiu acesso à ministra por meio de uma video-chamada, no último dia 28 de outubro. Ela fez um print do vídeo que viralizou nas redes sociais, com a promessa da ministra de ver um espaço em sua agenda para a possível visita solicitada pela jovem.
Segundo o pai da vereadora mirim, Robério Lima, que a acompanha nas sessões, “o coordenador não deveria ter falado do assunto em público, em plena sessão, já que ela havia sido chamada atenção, e tudo tinha sido esclarecido, na minha presença. Não vejo como erro a atitude da minha filha, já que ela é jovem e estava exercitando seu direito de cidadania. Ela apenas solicitou a presença da ministra, se mostrando preocupada com as informações que têm sido divulgadas pela mídia sobre as denúncias de abuso. Não tiro o direito dela de se expressar, e se mostrar atuante”, revelou.

Vereadora mirim Thalita Alves viralizou em convite para Damares Alves vir a Sobral (Foto: acervo pessoal).

Ainda segundo o coordenador, “nem ela, nem outro vereador pode se envolver em matéria estranha à Câmara Mirim, ou que não tenham orientação da coordenação, ou da própria assessoria jurídica da Câmara principal, que está à disposição para tirar qualquer dúvida dela ou de outro vereador mirim. Segundo o pai dela, que se intitula assessor da vereadora, por iniciativa pessoal dos dois, houve o convite à ministra, mas que não há referências dela como vereadora mirim, no que eu discordo”, revelou.
Sobre os assuntos tratados no vídeo pela adolescente, o coordenador foi enfático. “Eu orientei a ela e ao pai, que tomassem cuidado, porque ela é menor de idade, e não pode estar fazendo acusações sem provas. Não citei o nome dela, na sessão, para poupá-la, mas ela tem apresentado um comportamento estranho, e já havia sido chamada atenção”.

NOTA DO EDITOR

A garota Thalita Alves apenas exerceu sua cidadania, direito que lhe é assegurado pela Constituição, que não pode ser restringido nem pela Câmara e muito menos por um mero detentor de cargo comissionado. A atitude da vereadora mirim deve ser estimulada e não repreendida.
São deploráveis as palavras de Edmar Rodrigues, principalmente estas: “Existem 21 vereadores, e somente ela tem dado problemas”.
Pressão psicológica, constrangimento público e abuso de poder. Tudo isso por parte de um servidor, de cargo comissionado, tendo como alvo uma adolescente que teve a audácia cidadã de convidar a ministra Damares para discutir os casos de abuso sexual contra crianças em Sobral.
Se o projeto da Câmara de Vereadores Mirins não tem por objetivo incentivar o exercício da cidadania – e esta sessão mostrou exatamente o contrário -, não tem sentido a sua existência.  


Vereadores mirins em sessão da Câmara, onde a atitude de Thalita foi citada (Foto: Paulo Porfírio).

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